segunda-feira, 24 de agosto de 2009

8ª parte

Era como se eu mundo estivesse desabado, e nessa hora, começou a chover lá fora, eu odiava chuva, se não bastasse minha vida, agora cinzenta, lá fora chovia. Corri para meu quarto, no andar de cima, me joguei na cama e comecei a, instintivamente, chorar, tanto que me recusei de almoçar, e hoje, teria a minha comida preferida: bife com batata frita. Afundei a cabeça em uma almofada em forma de coração, sempre me fazendo as mesmas perguntas, todas elas sem resposta: “Por que ele não entende?” “Qual o problema com o Edu?” “Seriam todos os pais assim?”, de tanto chorar, dormi, e fui acordada 2 horas depois com uma suave batida na porta do meu quarto.
-Não enche! –gritei, em um tom de mau-humor.
-Manda, sou eu, o Edu!
-Ah, desculpa, entra.
Ele entrou, com uma cara de quem não estava entendendo nada.
-Ai Du, que bom você por aqui! –falei, abraçando-o com muita força.
-E aí, como foi com seus pais? Os meus adoraram, e querem que eu leve você para conhecê-los! –falou, com um sorriso lindo, talvez mais irradiante do que eu já vira, em seu rosto.
-Minha mãe adorou, mas meu pai, disse que não permitiria, que eu mal te conhecia, que eu era muito nova. –falei, chorando.
-Não fique assim, vamos conversar com ele, -ele me beijou –nós vamos conseguir.
Eu abracei-o com uma vontade de nunca mais largá-lo, nessa hora, meu pai chegou em casa, ele havia ido ao mercado, e vai direto no meu quarto, é, eu e o Edu ainda estávamos abraçados.
-AMAAAAAAANDA! –gritou ele, fazendo meu gato, cinza como a poluição, ou como as nuvens que ainda despejavam água, levantar do tapete onde dormia e sair correndo em direção á sala.
-Pai, eu...
-Olha, Seu João, eu sei que você não quer permitir o nosso namoro, mas a gente podia conversar né?- falou o Eduardo, com uma cara de súplica para o meu pai
-Não tem conversa, e sai daqui moleque- gritou meu pai
-João! Isso é jeito de falar com o garoto pelo qual sua filha é apaixonada? –falou minha mãe, com um tom doce, e ao mesmo tempo, duro.
-Mãe, me ajuda, por favor –falei, chorando.
Minha mãe me abraçou e disse que iria conversar com meu pai, e que era melhor o Edu ir embora. Ele me deu um beijo na testa, e quando foi passando pela porta do meu quarto, disse baixinho: “Eu te amo, não importa o que aconteça”, de um modo com que meus pais vissem e se entreolhassem. Pedi aos meus pais que saíssem, peguei meu velho diário, que estava no fundo da gaveta de meias, e escrevi:
“Pois é, o Eduardo é o grande amor da minha vida, e não posso estar perto dele, eu já não tenho mais lágrimas para chorar, e lá fora ainda chove, o sol que raiara de manhã parece estar triste também. Não sei mais o que fazer, meu pai não entende, o Edu é o que eu sempre quis, agora que ele está aqui, na minha frente, meu pai tenta fazer com que eu desista de tudo.”

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